quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Land art: o que é?

Júlia Pellizzari, Pedro Cursi e Pedro Lavigne

A Land Art, também conhecida como Earth Art ou Earthwork é um tipo de arte onde o terreno natural é alterado pelo homem, tornando-se ele mesmo, a própria obra de arte. Grandes partes de terra são removidas e recolocadas em novos locais, alterando profundamente a paisagem natural.

A Land Art surgiu no final da década de 60, em parte como consequência de uma insatisfação crescente em relação a monotonia cultural, em parte como expressão de um desencanto relativo à sofisticada tecnologiada cultura industrial, bem como ao aumento do interesse às questões ligadas à ecologia. O conceito estabeleceu-se numa exposição organizada na Dwan Gallery, Nova York, em 1968, e na exposição Earth Art, promovida pela Universidade de Cornell, em 1969.


Exemplo de uma obra de Land-art

É um tipo de arte que, por suas características, não é possível expor em museus ou galerias (a não ser por meio de fotografias). Devido às muitas dificuldades de colocar-se em prática os esquemas de land art, suas obras muitas vezes não vão além do estágio de projeto. Assim, a afinidade com a arte conceitual é mais do que apenas aparente.
Dentre as obras de land art que foram efetivamente realizadas, a mais conhecida talvez seja a Plataforma Espiral (Spiral Jetty), deRobert Smithson (1970), construída no Grande Lago Salgado, em Utah, nos Estados Unidos



Lugar e não lugar

Lugar é o espaço de pertencimento, de conforto, onde há a relação de formação identitária, histórica...
O não lugar é a outra polaridade disso, onde não há relação identitária. É o espaço de passagem, virtual.

A artista Josely Carvalho se baseia nessas ideias para seu processo de criação.
Sempre viajante e morando um tempo em cada local, Josely conta, em entrevista, que "sentia que vivia em um país que não era meu, que eu não reconhecia como meu". Até que, diz ela, "me dei conta de que nenhum deles era meu e nenhum deles eu queria que fosse meu". A artista percebeu, então, que existe a possibilidade de não ter um lugar, quando se percebe que todos os lugares são de passagem.
A partir disso, ela desenvolve trabalhos relacionados a tartaruga tracajá, que carrega seu casco para onde quer que vá. O casco se relaciona à casa, ao corpo, ao lugar e não lugar simultaneamente, ao espaço, à força e à proteção.


 

Josely também desenvolve trabalhos como o Livro das Telhas -  http://bookofroofs.com - , uma instalação virtual colaborativa, que busca transformar esse espaço da telha, do abrigo, como um espaço gerador de sentido.


Público e Privado 

Para Katia Canton, a arte tem um papel muito importante em descondicionar os nossos sentidos. Atráves da arte, os significados nos são apresentados de diferentes formas, reestruturados em ordens diferentes das convencionais. Isso nos estimula a percebe-los e organiza-los, nos estimula a questionar e a construir nossa visão de mundo.

Na contemporaneidade, é muito comum o estudo e a preocupação com a relação do espaço e da vida pública com a privada. Vivemos hoje numa sociedade em que é cada vez mais tênue a a fronteira que separa essas duas esferas da vida. Por um lado vivemos num mundo globalizado onde a vida pessoal e as informações são, progressivamente, mais públicas. Por outro, com o aumento da criminalidade e da violencia urbana temos espaços que são, por sua vez, deixados de lado, causando uma diluição no sentido de espaço público.  É possível indentificar uma série de conflitos que surgem da relação do público e do privado na contemporaneidade. Como nos mostra Katia Canton, o grafite é uma forma eficiente de furar esse paradigma dos espaços públicos que se tornam “espaços de ninguém”.


A supressão das distâncias

Paul Virilio, urbanista e pensador francês, em seus estudos sobre política e velocidade, fala da poluição dromosférica. Essa poluição, segundo ele, é causada pela amplificação da eletro-ótica e acústica ao longo do nosso dia-a-dia, o que torna tudo mais rápido por achatar o espaço em que as experiências acontecem.
Com o achatamento do espaço, a experiência do deslocamento, do percurso, dos lugares por onde passamos também é diminuída. Com isso, diminui-se a percepção subjetiva... que diminui a sensibilidade, a arte, o cuidado. E assim aumenta a ideia de produtividade, do racional acima de todo o resto.

A artista Brígida Baltar tenta enxergar o lugar no não lugar, lançando um olhar afetivo e sensível sobre as coisas. Em um de seus trabalhos, ela condensa e coleta coisas “incoletáveis” como neblina, orvalho, maresia e os guarda em receptáculos. O objetivo da obra é alargar o tempo da memória, tão diminuído na contemporaneidade.



Segundo a artista, o trabalho é mais existencial do que estético e, com isso, ela busca a contemplação da subjetividade.




A conhecimento de ambiental nas artes

Michael Maia

Conceito de arte ambiental segundo o crítico Harold Rosenberg é quando “todos tipos de estímulos e de forças induzidas mecanicamente influem sobre o espectador, fazendo dele não mais um espectador, mas, por vontade ou por força, um participante e às vezes um criador.”.  
Esse termo entrou para o mundo das artes no século XIX, podendo hoje designar a várias obras e também movimentos diversificados. São obras que extrapolam as suas linguagens, podendo utilizar da música, escultura, pintura, literatura etc. O espaço da galeria muitas vezes é pequeno para uma obra deste conceito, por isso muitas vezes ela se instala e dali não sairá, devido ao grande tamanho e material pesado utilizado. Como na imagem, da estrutura de Vladimir Tatlin.



Percebe-se nos anos 60 que o movimento de ambiental, significava uma fuga dos museus “caixas fortes” e arriscar o artista a pensar em novos lugares, e confrontar o espectador com novas obras. Três grandes nomes se destacam no conceito, Beuys, Oticica e Smithsom.
Pode se afirmar que os três artistas possuem obras que são além do “particular”, não como objetos autônomos mas as esculturas consideradas como lugares. Como no caso da obra de Helio Oticica:





As grandes mulheres que (não) fizeram história na arte brasileira

                                                                                                                                     Thalita Fernandes



Em meio a tantas lutas e manifestações feministas em busca pela igualdade de gênero, vemos ainda, dois extremos: a desvalorização da mulher, sendo subjugada, tratada como inferior; e a busca por reconhecimento que por vezes se mostra exagerada, afetando até mesmo sua visão de conduta.
Eu acho que cada um tem que ser um pouco feminista. Não saindo pela rua com os seios a mostra em manifestações, mas buscando suas conquistas na sociedade através da imposição por respeito, pela mostra de valores e principalmente pelo trabalho.
Bom, tratando desse aspecto, o texto de hoje é “Os gêneros da arte: mulheres escultoras na belle époque brasileira” da autora Ana Paula Simioni. A escolha do texto se deu pela recorrência do tema. Ainda lutamos por reconhecimento do trabalho feminino, mas essa busca pela conquista de um espaço começou há tempos.
Dois nomes são muito citados ao longo do artigo: Julieta de França e Nicolina Vaz de Assis. O motivo? Mulheres com um pensamento muito a frente de seu tempo, capazes de destacar-se em meio aos homens pela capacidade e dedicação pela arte no Brasil em pleno século XIX. Infelizmente nenhum dos dois nomes é tão conhecido hoje em dia. Se você digitar “Julieta de França” no Google, não encontrará quase nada. Mesmo assim, vale a pena pesquisar mais um pouquinho e saber a fundo sobre essas duas mulheres que foram as percussoras nas artes plásticas e no meio acadêmico brasileiro.
Ambas foram mulheres que enfrentaram os preconceitos na academia e se matricularam nas disciplinas de artes plásticas para fazer disso sua profissão – o que até então era considerado passatempo para as mulheres. Mesmo com o título de “amadoras” conseguiram sair do Brasil e ficaram cerca de cinco anos estudando na Académie Julian, França. Nicolina foi financiada por seu marido e Julieta conseguiu uma bolsa de estudos pela Enba, onde estudava.
Voltaram para o Brasil em busca de fazer história, mas isso não aconteceu. Em uma disputa pela melhor maquete homenageando a República brasileira, Julieta não obteve sucesso, e não satisfeita com o resultado, reivindicou seus direitos, contrapondo a sociedade machista da época. Infelizmente Julieta bateu de frente com o diretor Rodolfo Bernardelli que controlava quase todas as transações do ramo artístico na época e isso desencadeou o fim das obras e sucesso de uma grande escultora brasileira.
Nicolina foi um pouco mais cautelosa e obteve mais sucesso. Em meio a tantos homens, se destacou por sua sensibilidade, não contrapôs ninguém e seguiu com seu trabalho, mostrando sua força. Hoje tem como grande obra a Fonte Monumental, situada na Praça Júlia Mesquita em São Paulo.

Esse é o exemplo de duas mulheres que batalharam seu espaço e merecem ser lembradas. Além disso, servem de inspiração para nós, mulheres que vivem em uma sociedade contemporânea, com tecnologia do século XXI e cabeça do século XIX.