Por Robson Filho, Mateus Dias e Guilherme Pimenta
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quinta-feira, 2 de julho de 2015
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Walter Benjamim: um homem do seu e do nosso tempo
Anna Karolina, Vilela Siqueira, Bruno Cézar Gordiano, Fernando Altoé e Nathan Fioresi.
Walter Benjamim (1892-1940) foi
ensaísta, crítico literário, filósofo e sociólogo judeu alemão. Como legado o
autor deixou, dentre outras contribuições, trabalhos sobre a influência
exercida pelos meios técnicos no âmbito da percepção, da arte e da cultura. Uma
obra de grande representatividade escrita pelo autor foi A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, ensaio de
1936.
O comentador Detlev Schottker
ajuda-nos a compreender mais a fundo o ensaio citado acima e aponta para duas
questões centrais suscitadas pelas reflexões de Benjamim desde meados da década
de 1920. Primeiro, há que se considerar a difusão do processo da escrita e o
impacto público dos textos. O jornal e a revista, por exemplo, sofreram
mudanças na virada do século XIX para o XX, com o desenvolvimento das grandes
empresas de imprensa. Com isso, essas empresas passaram a orientar-se pelo
lucro e sofreram com o processo de massificação das informações veiculadas. A
segunda questão incide sobre as mídias visuais de massas e sua influência nas
formas de arte e de experiência. Aqui, entra o debate sobre a fotografia e o
cinema, que desde a década de 1920 haviam se tornado mídias influentes e meios
bem-sucedidos economicamente.
Sessão de Cinema na década de 1930.
Cine Brasil.
Benjamim, inserido nesse cenário
de intensas modificações, propõe em seu ensaio uma reflexão sobre as novas
experiências vividas pela modernidade. O cinema falado, por exemplo, quando
começa a ser disseminado na década de 1930, alcança um status econômico de grandes proporções. Contudo, a Benjamim
interessava não o caráter artístico do cinema, mas as novas formas de
experiência da modernidade que nele eram perceptíveis, como a aceleração da
sequência de imagens, através de montagens, e suas formas de apresentação. No
caso da fotografia, seu interesse residia no aspecto da reprodução de obras
existentes através de imagens de uma realidade que não podia ser captada a olho
nu.
O título do seu ensaio, A obra de arte na era de sua
reprodutibilidade técnica, pretende indicar a mudança sofrida pela arte por
causa da influência técnica. Benjamim utiliza alguns conceitos no ensaio que
permitem um melhor entendimento de suas ideias, como o conceito de aura. O autor expõe aquilo que denomina
aura na obra de arte e sua destruição mediante o processo de reprodução
técnica. No que consiste, então, esse conceito? Benjamim entende a aura como um
fenômeno que existe tanto na arte quanto na natureza, caracterizado pela
inacessibilidade, autenticidade e originalidade dos objetos e de sua percepção.
Com o advento da modernidade e das novas condições de produção, os objetos
passam a ser reproduzidos desenfreadamente e tal reprodução acaba por
interferir na aura do objeto, ou seja, nos três elementos que determinam sua
essência: inacessibilidade, autenticidade e originalidade. Com isso, a
reprodução técnica leva à destruição da aura do objeto e provoca alterações na
recepção e percepção técnica da obra pelo público consumidor.
As reflexões de Benjamim, por
mais que datadas da primeira década do século XX, continuam pertinentes nos
dias atuais, quando nos deparamos com um universo tecnológico que evolui a cada
dia e que interfere na forma de recepção e percepção da realidade. Através de
uma simples navegação na internet podemos “visitar” o interior da Capela
Sistina, por exemplo, e desfrutar daquele ambiente fascinador. Ao mesmo tempo
nos perguntamos: o que perdemos com a visualização de todas aquelas pinturas
pela tela de um computador ou o que ganhamos com sua contemplação a olho nu?
Com certeza, o fascínio de estar no interior da Capela Sistina só é possível
pela aura que o ambiente carrega, e o alcance total dessa aura não acontece por
meio da reprodução virtual daquele lugar.
sábado, 31 de maio de 2014
Sobre Walter Benjamin, aura e publicidade
Camila
de Nadai, Camila Macedo, Lucas Kato e Vinicius Sant Anna
O Autor
Walter
Benjamin nasceu em Berlim, Alemanha, em 15 de julho de 1892. Estudou filosofia
na Universidade de Freiburg e tornou-se doutor pela Universidade Bern. Benjamin
era filho de comerciantes judeus, e por isto, foi perseguido pelo governo
alemão, durante a ascensão do
nazismo. Em 1935 fugiu para Paris, onde
ficou exilado até 1940, quando a França foi invadida pelos alemães. Então,
juntou-se a um grupo de foragidos que tentava ir à Espanha, mas acabaram sendo
detidos na fronteira pela polícia espanhola. Com medo de ser entregue à polícia
alemã, Benjamin suicidou-se. Porém no dia seguinte os espanhóis permitiram a
entrada do grupo no país.
Benjamin
possuía uma grande amizade com filósofos como Ernst Bloch e Adorno, este último
que foi o responsável pela edição das obras póstumas de Benjamin, cujos
escritos não alcançaram muita repercussão enquanto era vivo.
Benjamin abordou em suas obras
temas como arte e literatura, principalmente. Entre seus escritos destacam-se "As afinidades eletivas de Goethe", "Sobre alguns
temas em Baudelaire", "Teses sobre filosofia da história",
"Paris, capital do século 19" e "A obra de arte na era de sua
reprodutibilidade técnica".
Conceito de Aura
O
conceito de aura de Walter Benjamin insere-se na obra de arte. Com o avanço da
tecnologia, tornou-se possível reproduzir obras tecnicamente, ao invés de
manualmente, cada vez de forma mais rápida e fiel ao original.
Porém,
com esse processo, a obra de arte acaba perdendo sua “aura”, que está
diretamente ligado ao objeto original. A aura é composta
de três características principais: autenticidade, originalidade e
inacessibilidade.
Apesar
da possibilidade da reprodução técnica de certa forma democratizar o acesso aos
produtos culturais, a obra perde seu “aqui e agora”, o que faz com que as
cópias nunca sejam iguais ao original – a obra sempre é única uma vez que traz
a carga do artista e a própria contemplação que existe mediante ao que é
difícil de ter acesso.
Ao
longo dos séculos, sempre existiram formas que possibilitaram a cópia. A
princípio, ela era utilizada como a forma que os artistas encontravam para
repassar seus conhecimentos e técnicas aos seus discípulos. Algumas técnicas
como a xilogravura se destacam. Entretanto, o advento da fotografia mudou a
percepção das pessoas, assim como as dinâmicas de reprodução.
No
ensaio de Benjamin “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica”, o autor foca na fotografia e no cinema, pois foram os meios que
permitiram a reprodução automatizada das obras. Isso possibilitou a
reprodutibilidade rápida, rompendo com o caráter manual das obras de arte (o
original e as reproduções). Para Benjamin, por mais perfeita que fosse a cópia,
jamais seria igual à obra de arte original. Ou seja, uma obra reproduzida não
capta totalmente o “aqui e agora” de uma obra de arte, perdendo, assim, a sua
aura.
Reprodução
e Publicidade
Conhecemos
a publicidade como uma atividade dedicada à difusão pública de ideias
associadas a empresas, produtos ou serviços, especificamente, propaganda
comercial. Pode-se traçar a história da publicidade desde a antiguidade. Foi,
porém, após a Revolução Francesa, em 1789, que a publicidade iniciou a
trajetória que a levaria até o seu estágio atual de importância e
desenvolvimento. Conhecendo um pouco mais da História da Arte, percebemos que
frequentemente há a utilização de esculturas ou pinturas como tentativa de
emprestar autoridades às mensagens publicitárias.
Atualmente,
é comum deparar-se com publicidades que fazem menção a variados componentes do
âmbito das artes, recorrendo a diferentes obras presentes em marcos da história
da arte. Os publicitários se baseiam em composições clássicas, capazes de
afirmar e aumentar os benefícios de uma marca, sendo que esse é o principal
objetivo da comunicação publicitária. Há sempre a necessidade, de buscar um
embasamento em obras de conhecimento do público alvo, para que assim as imagens
utilizadas já façam parte do seu repertório e facilitem a assimilação com o
produto ou marca divulgada.
Temos
imagens "apropriadas" de diferentes períodos da História da Arte
com pequenas alterações e em outras vezes temos as "releituras",
imagens com alterações mais significativas, ambas pertencendo a novos contextos.
Existem diferentes formas de apropriação e utilização de uma arte em campanhas
de publicidade. Ela pode ser incorporada ou imitada. Quando incorporada ainda
pode ser total (com ou sem interferência) ou um fragmento (com ou sem
interferência). As imitadas podem ser como referência a uma obra (total ou
fragmentada) ou com referência a uma serie ou um movimento.
Analisando
exemplos da publicidade mundial, podem ser encontradas diversas formas de
apropriação das imagens artísticas na comunicação publicitária:
Apropriação da obra
“David” de Michelangelo
Apropriação da obra "Mando Vermelho" de Tarsila do Amaral
Apropriação da Obra "Abaporu" de Tarsila do Amaral
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